Bancada do Amazonas vota unida pelo PL Antifacção

O PL Antifacção foi enviado pelo governo Lula

Os oito deputados federais do Amazonas votaram, de forma unânime, a favor do Projeto de Lei Antifacção, aprovado nesta terça-feira (18) na Câmara dos Deputados. A proposta aumenta penas, cria novos crimes relacionados ao crime organizado e estabelece regras mais rígidas de persecução penal. O resultado — 370 votos favoráveis, 110 contrários e três abstenções — representou uma vitória expressiva da oposição e uma derrota direta ao governo federal, que orientou sua base a votar não.

Votaram sim: Adail Filho (Republicanos), Amom Mandel (Cidadania), Átila Lins (PSD), Fausto Júnior (União), Capitão Alberto Neto (PL), Saullo Vianna (União), Sidney Leite (PSD) e Silas Câmara (Republicanos).

O apoio da bancada do Amazonas fortaleceu a articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e também consolidou a maioria formada por partidos de centro-direita e direita na Casa, bloco que tem se tornado decisivo nas principais votações.

Como foi a tramitação

O PL Antifacção foi enviado pelo governo, mas a condução do texto foi entregue ao deputado Guilherme Derrite (PP-SP), secretário licenciado de Segurança de São Paulo, escolha que gerou atritos com o Planalto. O relatório endureceu trechos da proposta original e retirou pontos defendidos pelo governo, como maior protagonismo da Polícia Federal no combate às facções.

A disputa política se prolongou durante toda a tramitação. O relator chegou a sugerir que o combate ao crime organizado fosse atribuição das polícias civis estaduais e tentou incluir a equiparação entre facções e terrorismo, ambos os pontos foram excluídos após pressões.

O que muda com o projeto

O texto aprovado cria um marco mais rígido contra organizações criminosas, milícias e grupos paramilitares. Entre as principais medidas:

  • Penas de 20 a 40 anos para integrantes de organizações consideradas “ultraviolentas”;
  • Criação de novos crimes, como novo cangaço, domínio territorial, ataques com explosivos, drones e armas pesadas;
  • Agravante para crimes ligados ao garimpo ilegal;
  • Progressão de regime mais severa, que poderá exigir 70% a 85% do cumprimento da pena;
  • Inclusão obrigatória de líderes de facções em presídios federais de segurança máxima.

Agora, o texto segue para análise no Senado. Se aprovado, vai à sanção do presidente Lula.

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