Expansão do tráfico e avanço das facções colocam quatro cidades do AM entre as mais violentas da Amazônia Legal
O relatório do FBSP alerta que quase metade dos 772 municípios da Amazônia Legal já apresenta presença de facções

O Amazonas integra, mais uma vez, o núcleo da crise de segurança da Amazônia Legal. Quatro municípios do estado — Rio Preto da Eva, Coari, Iranduba e Tabatinga — figuram no ranking das 20 cidades mais violentas da região, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgado nesta quarta-feira (19). O levantamento evidencia a consolidação das facções e o impacto direto da disputa por rotas do tráfico no aumento das mortes violentas.
O FBSP analisou os dados dos últimos três anos, com base nas taxas de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, e classificou os municípios conforme porte populacional. No conjunto amazonense, Rio Preto da Eva aparece na categoria Pequeno 2 (20 a 50 mil habitantes), enquanto Coari, Iranduba e Tabatinga entram na faixa de municípios médios.
Cada uma dessas cidades ocupa posição estratégica dentro da logística criminal que se desenha no estado. Rio Preto da Eva se tornou, ao longo de 2024, ponto de confronto entre PCC e CV, refletindo a interiorização da guerra entre facções e o avanço de disputas originalmente concentradas na capital. Coari, no médio rio Solimões, consolidou-se como corredor hidroviário sensível para o transporte de cocaína produzida no Peru e na Colômbia.
Em Iranduba, o contexto é diferente, mas igualmente crítico: a integração metropolitana com Manaus favorece a reprodução de dinâmicas violentas, com forte presença do Comando Vermelho e influência direta de conflitos urbanos. Já Tabatinga, localizada na tríplice fronteira, permanece como um dos mais importantes portais de entrada de drogas no Brasil, fator que historicamente impulsiona taxas elevadas de violência na região.
O relatório do FBSP alerta que quase metade dos 772 municípios da Amazônia Legal já apresenta presença de facções, demonstrando como o tráfico conseguiu se enraizar e explorar vulnerabilidades territoriais, econômicas e institucionais. A tendência, segundo o estudo, é que as taxas continuem altas enquanto houver disputa armada por controle territorial e rotas de escoamento.
