Vereadores criticam proposta que permite sessões híbridas na CMM: “fuga do povo e vergonha para a Casa”

Além das sessões híbridas, o projeto prevê mudanças no calendário da eleição da Mesa Diretora

A proposta que autoriza a realização de sessões híbridas e virtuais na Câmara Municipal de Manaus (CMM) provocou forte reação entre parlamentares da oposição nesta terça-feira (11). O Projeto de Resolução Legislativa nº 20/2025, de autoria da Mesa Diretora presidida por David Reis (Avante), é visto por alguns vereadores como uma tentativa de “fugir da pressão popular” e reduzir a transparência dos trabalhos legislativos.

Atualmente, o Regimento Interno da Câmara determina que as sessões sejam presenciais, realizadas de segunda a quarta-feira, a partir das 9h. Com a nova proposta, a Mesa Diretora poderia autorizar sessões remotas ou híbridas — em que parte dos vereadores participa à distância — em “situações excepcionais”, como calamidade pública ou impossibilidade de funcionamento seguro do plenário.

“Fuga da população”

O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) foi um dos que mais criticaram a proposta. Para ele, a medida abre brechas para evitar o contato com manifestações populares na Casa.

“Se o presidente entender que tem manifestação aqui, ele pode decretar junto com a Mesa Diretora que a sessão será virtual. Ao invés de encarar a população, pode participar de casa, na comodidade da sua câmera. Isso é vergonhoso”, declarou Guedes, chamando a proposta de “um retrocesso” no debate público.

Amauri Gomes (União Brasil) também se posicionou contra o texto, afirmando que a Câmara “não é mais a Casa do Povo”.

“Aqui a Câmara tem dono. Usam o regimento interno como desculpa para manobras políticas. Como é que o parlamentar tem medo de encarar o povo?”, disse Amauri, que acusou a base da prefeitura de tentar aprovar projetos “de forma camuflada”.

“Não há justificativa”, diz Zé Ricardo

O vereador Zé Ricardo (PT) lembrou que sessões virtuais só foram adotadas durante a pandemia, em um cenário de emergência sanitária, e que não há motivo para retomar o formato.

“Na pandemia, foi uma medida necessária. Mas agora não existe razão para introduzir sessões virtuais. Nunca houve situação que inviabilizasse o funcionamento seguro do plenário”, destacou o parlamentar.

O presidente da Mesa Diretora, David Reis (Avante), não estava presente na sessão. A condução ficou a cargo do vereador Raulzinho (PSDC), que afirmou que a decisão caberá ao plenário.

“Tudo no parlamento é decidido em votação. O parlamento é soberano: quem tiver mais votos, ganha”, disse Raulzinho.

Outras mudanças

Além das sessões híbridas, o projeto prevê mudanças no calendário da eleição da Mesa Diretora — que poderá ocorrer ainda no primeiro ano de mandato, antecipando articulações políticas — e na digitalização dos processos internos da Casa, com prazos mais curtos para tramitação de documentos.

A proposta ainda precisa passar por votação em plenário e tem gerado mobilização de parlamentares contrários à medida, que prometem resistir à aprovação.

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