Greve nacional chega ao AM e petroleiros suspendem embarque para Urucu em Manaus

A paralisação começou na última segunda-feira (15)

A greve nacional dos petroleiros chegou diretamente ao Amazonas nesta quarta-feira (17/12), quando trabalhadores da Petrobras impediram o embarque para a Província Petrolífera de Urucu durante um ato no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus.

Segundo o Sindicato dos Petroleiros da Amazônia (Sindipetro-AM), 100% dos profissionais de operação e manutenção escalados para Urucu aderiram à paralisação, suspendendo a troca de equipes na unidade considerada estratégica para a produção de petróleo e gás no país.

Localizada em Coari, a Província Petrolífera de Urucu é apontada pela própria Petrobras como uma das maiores reservas terrestres provada de petróleo e gás natural do Brasil. A unidade abastece termelétricas sendo considerada essencial para a segurança energética da região Norte.

Após o protesto no aeroporto, os trabalhadores seguiram para a sede da Petrobras em Manaus, no bairro Parque 10, onde mantêm as manifestações.

A paralisação começou na última segunda-feira (15), após a categoria rejeitar, em assembleias, uma segunda contraproposta da empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho. O movimento, por tempo indeterminado, iniciou nas regiões Sul e Sudeste e se espalhou para outras áreas do país.

Nas redes sociais, o sindicato tem divulgado vídeos da mobilização em Coari. Em uma das publicações, petroleiros criticam o modelo de gestão da companhia. “Chega de lucro máximo para os acionistas privados e migalhas para quem constrói essa empresa”, afirmam.

Acusações de repressão

A greve também foi marcada por denúncias de repressão. Em vídeo divulgado nesta terça-feira (16), trabalhadores acusam o gerente da Transpetro, Fábio Ângelo, de acionar a Polícia Militar para constranger grevistas e o sindicato.

Na publicação, os petroleiros afirmam que a equipe de segurança também está em greve e alertam para riscos de acidentes. “Se houver acidente envolvendo trabalhadores obrigados a atuar durante a greve, buscaremos responsabilização criminal do gerente”, diz o comunicado.

Pauta nacional

Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a proposta da Petrobras não avançou em três pontos considerados centrais: o fim dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros; melhorias no plano de cargos e salários; e a defesa de um modelo de negócios que, segundo os sindicatos, evite terceirizações e privatizações.

No Amazonas, o sindicato afirma que, caso a greve se prolongue, a Petrobras pode enfrentar dificuldades operacionais em Urucu devido à impossibilidade de revezamento das equipes.

Em nota anterior, a Petrobras declarou que permanece aberta ao diálogo e empenhada em concluir as negociações.

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