Liesa-AM aponta falhas na organização e vê risco para os desfiles do Carnaval de Manaus 2026

O presidente da Liesa-AM aponta que o cenário atual inviabiliza o planejamento das agremiações, que dependem de prazos e regras claras para organizar fantasias, alegorias e ensaios

A Liga Independente das Escolas de Samba do Amazonas (Liesa-AM) voltou a criticar a condução do Carnaval de Manaus 2026 e alertou que, diante da falta de planejamento e de diálogo com o poder público, os desfiles correm risco de não acontecer. A avaliação foi apresentada durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (18/12).

Conforme a entidade, não há, até o momento, um cronograma oficial definido, nem informações claras sobre a escolha da Corte do Carnaval ou sobre os critérios que irão nortear o julgamento dos desfiles. Outro ponto questionado é o regulamento do concurso, que, segundo a Liesa-AM, foi elaborado de forma unilateral pela Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (SEC), sem debate prévio com as escolas.

Estiveram presentes representantes das escolas Aparecida, A Grande Família, Andanças de Ciganos e Vitória Régia. O presidente da escola Presidente Vargas, mesmo ausente, manifestou apoio às reivindicações da Liga. Os dirigentes relataram que tentativas de reunião com a SEC não resultaram em avanços concretos.

Para o presidente da Liesa-AM, Roberto Simonetti, o cenário atual inviabiliza o planejamento das agremiações, que dependem de prazos e regras claras para organizar fantasias, alegorias e ensaios.

“As escolas precisam de previsibilidade. Sem regulamento pactuado, sem cronograma e sem segurança sobre os critérios de julgamento, não há como avançar. O Carnaval não se constrói de forma improvisada”, afirmou.

A interferência política na definição das regras e na escolha dos jurados também foi alvo de críticas. Segundo os dirigentes, qualquer ingerência externa compromete a credibilidade do concurso e fragiliza o caráter técnico da disputa.

O presidente da escola A Grande Família, Cleildo Barroso (Caçula), destacou que condicionar o repasse de recursos à assinatura imediata do regulamento cria desequilíbrios entre as agremiações.

“Quando o acesso aos recursos fica condicionado a aceitar regras impostas, a igualdade entre as escolas deixa de existir. O Carnaval precisa ser construído coletivamente”, declarou.

Além dos impactos nas escolas, a Liesa-AM alertou para prejuízos à cadeia produtiva do Carnaval, que envolve centenas de trabalhadores e movimenta a economia criativa da capital. Segundo a entidade, a indefinição compromete contratos, geração de renda e o envolvimento das comunidades.

Ao final, a Liga reforçou que está aberta ao diálogo, mas condiciona a continuidade do processo à retomada de negociações transparentes, respeito à autonomia das escolas e definição urgente de regras e prazos.

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