MPF acompanha criação de UC no Rio Urupadi após investigações apontarem ameaças e desaparecimento de indígena

Rio está localizado no município de Maués

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a criação da Unidade de Conservação do Rio Urupadi–Parauari, em Maués, após investigações revelarem um cenário crítico envolvendo desmatamento, ameaças a lideranças comunitárias e o desaparecimento de um jovem indígena Sateré-Mawé na região.

A decisão consta em despacho publicado no Diário Oficial do órgão nesta segunda-feira (22/12), assinado pela procuradora da República Janaína Gomes. O MPF passa a monitorar diretamente a implementação da unidade de conservação como instrumento de proteção ambiental e territorial para ribeirinhos e povos indígenas que vivem no entorno dos rios Urupadi e Parauari.

O procedimento tem origem no Inquérito Civil nº 1.13.000.001746/2018-64, instaurado a partir de representação apresentada pelo então deputado federal José Ricardo Wedling, hoje vereador de Manaus. À época, o parlamentar solicitou a apuração de ameaças aos modos de vida das comunidades tradicionais do rio Urupadi, além da criação de uma unidade de conservação como medida de proteção permanente da área.

Ao longo da tramitação do inquérito, o MPF reuniu informações que apontam a retirada ilegal de madeira, desmatamento, ameaças direcionadas a lideranças comunitárias e o desaparecimento de um jovem indígena Sateré-Mawé, episódios que reforçaram a necessidade de ações estruturantes voltadas à segurança territorial.

Diante desses elementos, o MPF decidiu readequar o tratamento do caso, criando um procedimento administrativo específico para acompanhar a criação da unidade de conservação, separando essa política pública das demais apurações. O novo procedimento será incorporado ao processo mais amplo que acompanha as ações de regularização fundiária de povos e comunidades tradicionais no Amazonas, no âmbito do Fórum Diálogo Amazonas, coordenado pelo MPF desde 2011.

Para o órgão, o acompanhamento contínuo da criação da unidade de conservação é essencial para prevenir novos conflitos, garantir a proteção das comunidades tradicionais e assegurar a preservação ambiental em uma área marcada por pressões econômicas e riscos sociais crescentes.

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