Pais de Benício cobram respostas na CMM após morte de criança por erro médico
Menino de seis anos morreu após receber doses de adrenalina na veia

A dor dos pais de Benício Xavier, de seis anos, ecoou no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta quarta-feira (03/12). Bruno e Joyce Freitas transformaram o luto em cobrança pública ao denunciarem o que classificam como um erro médico “básico, evitável e devastador” que tirou a vida do filho e expôs fragilidades no sistema de saúde privado da capital.
Benício morreu após receber uma dosagem incorreta de adrenalina entre os dias 23 e 24 de novembro, no Hospital Santa Júlia. A médica admitiu o erro em documento encaminhado à Polícia Civil, que, junto com o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), conduz a investigação. O caso trouxe à tona questões sobre protocolos, supervisão técnica e a própria estrutura da unidade hospitalar.
Em discurso emocionado, Bruno relatou que o filho chegou ao hospital apenas com tosse. “Meu filho entrou andando e saiu em um saco preto. Nada vai trazer o Benício de volta, mas não podemos permitir que isso aconteça de novo. O sistema falhou em cada etapa”, afirmou.
A mãe, Joyce, disse viver um processo diário de sobrevivência desde a tragédia. “É difícil acordar, comer, respirar. A dor é insuportável. Queremos justiça e queremos respostas.”
Parlamentares apontam responsabilidade sistêmica
O caso sensibilizou diversos vereadores. Rodrigo Guedes chamou atenção para a dimensão nacional da repercussão. Zé Ricardo alertou para falhas que se repetem e que exigem ações estruturantes. Já o vereador Sérgio Baré foi mais incisivo ao afirmar que o problema começou antes da aplicação da medicação: segundo ele, a “raiz” da tragédia está na contratação de uma profissional “não habilitada” para atendimento pediátrico. “Não há lado nesta hora. O sistema inteiro falhou”, declarou.
Erros, versões e inconsistências
Além da admissão inicial da médica, o caso ganhou novos contornos após a defesa alegar que a prescrição digital teria sido alterada automaticamente pelo sistema interno do hospital, uma suposta falha técnica. Vídeos foram apresentados para sustentar a versão, mas ainda devem passar por análise pericial.
A Justiça negou o pedido de prisão preventiva da médica. No entendimento judicial, ela colaborou com as investigações e não apresentou risco ao processo. A decisão gerou debates sobre a responsabilização de profissionais versus falhas institucionais.
O Hospital Santa Júlia afastou a médica e a técnica de enfermagem, mas evitou detalhar procedimentos internos, limitando-se a lamentar a morte.
Protestos e comoção pública
O caso desencadeou mobilizações em Manaus. Na segunda-feira (1/12), familiares e apoiadores fizeram ato em frente ao CRM-AM pedindo responsabilização de todos os envolvidos, inclusive da unidade hospitalar.
A morte de Benício se tornou símbolo de um debate mais amplo: a necessidade urgente de revisão de fluxos, protocolos pediátricos, ferramentas digitais e contratação adequada de equipes médicas — tanto na rede pública quanto na privada.
