Vereador preso há dois meses segue recebendo salário integral e já soma mais de R$ 50 mil
Comitê de Combate à Corrupção aponta omissão da CMM

Dois meses após ser preso na operação Face Oculta, o vereador Rosinaldo Bual (Agir) continua recebendo normalmente seu salário da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Nesse período, os pagamentos já somam R$ 52.161,96, mesmo sem o parlamentar exercer o mandato do qual foi afastado judicialmente.
O salário-base mensal de Bual é de R$ 26.080,98. Com descontos de previdência e imposto de renda, o valor líquido que entrou em sua conta durante os dois meses de detenção é de R$ 38.255,04. A verba de gabinete também segue disponível. As informações constam no Portal da Transparência da Câmara.
A permanência dos pagamentos ocorre porque a CMM não deu andamento ao pedido de cassação do vereador, protocolado em 6 de outubro pelo Comitê de Combate à Corrupção. O processo permanece parado sob justificativa do presidente da Casa, David Reis (Avante), que alega respeito ao “direito à ampla defesa”.
Pressão aumenta dentro e fora do plenário
A falta de posicionamento da CMM tem gerado desgaste político. Vereadores como Rodrigo Guedes (Progressistas) e Amauri Gomes (União Brasil) têm criticado publicamente a paralisia do processo.
“Dois meses de ultracorporativismo, blindagem total”, disse Guedes em plenário, ao levar um bolo com a vela de número 2 para simbolizar a demora. Amauri reforçou: “A Câmara tem um vereador preso, e o presidente senta em cima do processo como se fosse dono da Casa”.
O Comitê de Combate à Corrupção também recorreu ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), protocolando uma Notícia de Fato para que a Procuradoria-Geral de Justiça apure possível omissão do presidente da Câmara.
Operação Face Oculta
Bual foi preso em 3 de outubro pelo Gaeco, acusado de comandar um esquema de rachadinha e de usar dinheiro público desviado para agiotagem. O vereador permanece detido e afastado do cargo por 120 dias.
Mesmo assim, a remuneração continua sendo depositada normalmente, sem previsão de mudança enquanto a Mesa Diretora não iniciar o processo de perda de mandato.
