Comissão de Mortos questiona Globo sobre prova do BBB e compara a tortura da ditadura

Órgão enviou carta à TV Globo criticando a dinâmica do ‘Quarto Branco’

*Com informações da Folha de São Paulo

A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da ditadura militar enviou carta à TV Globo com críticas à prova do “Quarto Branco”, do programa Big Brother Brasil, comparando-a métodos de tortura do regime exceção vivido no Brasil.

Segundo o órgão, a prova, que confina os participantes com o intuito de testar sua resistência psicológica, “ultrapassou as fronteiras do jogo e do entretenimento para ingressar em um terreno perigoso que flerta com a violência física e o flagelo psicológico”.

Para a comissão, as semelhanças com práticas da ditadura são inegáveis.

“É impossível ignorar que tais métodos guardam uma semelhança aterradora com as práticas de tortura empregadas sistematicamente pela ditadura civil-militar brasileira, um período de dor que ainda deixa cicatrizes na memória de nossa nação”, diz a carta.

A comissão é um órgão de Estado, responsável por medidas de memória e reparação a vítimas da ditadura.

O documento é assinado pela presidente do órgão, Eugênia Gonzaga, e por mais quatro membros: Diva Santana, representante dos familiares de mortos e desaparecidos, a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), indicada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, e Vera Paiva e Maria Cecília Adão, ambas pela sociedade civil.

Elas mencionam algumas provas do quarto, em especial uma que obriga as pessoas a permanecerem em pé em uma espécie de pedestal, “prática utilizada como tortura durante as ditaduras latino-americanas”

As signatárias acrescentam que o argumento de que os participantes do reality show concordaram em se submeter à dinâmica não exime a emissora de responsabilidade. “A nossa Constituição Federal, no seu artigo 5º, é clara: a proibição da tortura e do tratamento degradante é um valor absoluto”, dizem.

A comissão pede que a Globo reveja as práticas equivalente a tortura e que a sociedade civil reflita sobre o tema e essa forma de entretenimento.

Amazonense participou

A dançarina Lívia Christina topou o desafio de entrar na casa de vidro da região Norte para disputar uma vaga no BBB 26 (Globo). Figura conhecida em seu estado, a amazonense é rainha do folclore do Boi Garantido e se apresenta no Festival de Parintins.

Aos 26 anos, a jovem vem se destacando como representante da comunidade LGBTQIA+ da celebração que acontece todos os anos na tradicional celebração que exalta a cultura nortista desde 1965.

Em 2023, quando era porta-estandarte do Garantido, Lívia se apresentou no Bumbódromo usando indumentária com as cores da bandeira LGBT. “Sou a primeira mulher lésbica no Festival de Parintins, tenho muito orgulho de a minha nação ter me acolhido, assim como a nação contrária [do Caprichoso]”, afirmou.

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