Caso Benício: defesa de médica aponta vazamento e pede afastamento de delegado

O pedido foi apresentado após a divulgação de um relatório de extração de dados do celular da médica

A defesa da médica Juliana Brasil Santos, investigada pela morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, em Manaus, solicitou à Justiça o afastamento do delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), responsável pelo caso. O pedido inclui ainda o reconhecimento de suspeição da autoridade policial na condução da investigação.

Segundo o advogado Sérgio Ricardo Menezes, houve vazamento seletivo de informações de um processo que tramita sob segredo de justiça. Para ele, a divulgação de dados teria ocorrido de forma distorcida, contribuindo para a construção de uma narrativa capaz de influenciar a opinião pública e comprometer a imparcialidade da apuração.

A defesa requer que o delegado seja intimado a prestar esclarecimentos sobre o suposto vazamento, além da apuração de eventual violação de sigilo funcional e abuso de autoridade. Também pede o afastamento imediato da investigação, alegando indícios de quebra do dever de lealdade processual.

O pedido foi apresentado após a divulgação de um relatório de extração de dados do celular da médica. O documento aponta que Juliana buscou orientação de outros profissionais de saúde diante do quadro do paciente e que, antes da internação na UTI, respondeu mensagens relacionadas à venda de maquiagens.

Para sustentar a alegação de parcialidade, o advogado cita declarações atribuídas ao delegado em reportagem, nas quais ele afirma que a médica teria pago pela produção de um vídeo adulterado. O material em questão mostra o uso do sistema Tasy, utilizado em unidades hospitalares, incluindo o hospital onde a criança foi atendida.

De acordo com a defesa, a afirmação foi feita sem a realização de perícia técnica que comprovasse a suposta adulteração, o que, segundo Menezes, indicaria uma conclusão precipitada e sem respaldo técnico.

O advogado também sustenta que a médica solicitou a profissionais de outro hospital que registrassem o funcionamento do sistema com o objetivo de produzir prova técnica para sua defesa. “Não houve pagamento, não houve fraude, não houve qualquer irregularidade”, afirma em nota.

Outro ponto questionado diz respeito a um print divulgado, que, segundo o delegado, indicaria conversa da médica sobre a compra de um vídeo editado. A defesa, no entanto, afirma que o diálogo ocorreu entre terceiros, sem participação direta da investigada.

Para o advogado, a exposição midiática e a divulgação de informações consideradas equivocadas colocam em risco a lisura da investigação, especialmente por se tratar de um caso que pode ser levado ao Tribunal do Júri.

Na nota, Menezes afirma que a conduta da autoridade policial levanta preocupações quanto à condução do caso, citando possível distorção de informações e impactos negativos tanto para a família quanto para o sistema de Justiça.

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