Cheia 2026: Santo Antônio do Içá já tem 13 mil afetados
Cheia do Rio Solimões atinge comunidades, destrói produção e leva município a decretar emergência

A subida contínua do Rio Solimões já começa a afetar a vida de quem mora em Santo Antônio do Içá. Com comunidades alagadas, produção rural comprometida e famílias em situação de vulnerabilidade, o município decretou, nesta sexta-feira (20/03), situação de emergência por 90 dias. A medida foi tomada após o rio atingir 12,79 metros, nível considerado elevado para o período e impactar diretamente cerca de 13,2 mil pessoas, entre moradores da zona rural e urbana.
Com isso, a cidade se torna a 11ª a entrar em emergência pela cheia, ao lado dos municípios de: Lábrea, Boca do Acre, Eirunepé, Itamarati, Carauari, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Canutama e Tapauá.
Comunidades cercadas pela água
Ao todo, 99 comunidades ribeirinhas estão sendo afetadas, além de seis bairros da cidade. Em áreas de várzea, onde as casas ficam mais próximas ao nível dos rios, a água já invade terrenos e dificulta o deslocamento.
A cheia também comprometeu cerca de 65% da produção agrícola, afetando a principal fonte de renda e alimentação de muitas famílias.
O nível atual do rio ainda está abaixo do recorde registrado em 2015, mas segue em trajetória de subida. Faltam pouco mais de dois metros para atingir a marca histórica, acendendo o alerta para um agravamento da situação nas próximas semanas.
Resposta emergencial
Com o decreto, a prefeitura passa a adotar medidas excepcionais para enfrentar a crise. Entre elas, a possibilidade de contratar serviços e adquirir insumos sem licitação, mecanismo previsto em lei para situações urgentes.
Também estão autorizadas ações como evacuação de áreas de risco, uso de propriedades particulares em casos extremos e mobilização de voluntários.
O município afirma que não tem estrutura suficiente para lidar sozinho com os impactos da cheia e busca apoio dos governos estadual e federal.
