Cinco mil manejadores de pirarucu serão remunerados por serviços ambientais prestados
Instituto Mamirauá participa do lançamento do programa federal ao lado da ministra Marina Silva

Mais de 5 mil manejadores de pirarucu passarão a ser remunerados por serviços ambientais no Brasil. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (26), em Manaus (AM), durante o lançamento do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu). A iniciativa é do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e reconhece o trabalho do Instituto Mamirauá em colaboração com as comunidades da Amazônia.
O PSA Pirarucu deve beneficiar mais de 40 organizações comunitárias que atuam em 41 áreas protegidas da Amazônia, abrangendo mais de 20 milhões de hectares. A iniciativa prevê a mobilização de aproximadamente R$ 15 milhões ao longo de dois anos, no âmbito do Projeto Floresta+ Amazônia.
A coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, Ana Cláudia Gonçalves, integra a mesa de lançamento ao lado da ministra Marina Silva. Também participa da mesa Pedro Canizio Oliveira da Silva, representante da Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região de Mamirauá (Femapam).
A participação do Instituto Mamirauá no lançamento reforça uma trajetória iniciada há mais de duas décadas, voltada ao fortalecimento dos modos de vida de comunidades tradicionais e indígenas e à conservação da biodiversidade por meio do uso sustentável dos recursos naturais.
Ao longo desse período, o Instituto, em colaboração com populações ribeirinhas, desenvolveu protocolos de manejo que aliam conservação ambiental ao fortalecimento das organizações de base comunitária, promovendo sua participação na gestão e governança dos territórios. Entre as iniciativas apoiadas estão o manejo de recursos pesqueiros, de jacarés de vida livre, de recursos florestais madeireiros e não madeireiros, sistemas agroecológicos e turismo de base comunitária.
No contexto da Reserva Mamirauá, os recursos pesqueiros têm papel central nos meios de vida das populações locais, sendo a principal fonte de proteína animal e uma das principais fontes de renda. De acordo com dados de pesquisa, a pesca foi a atividade produtiva que mais ampliou sua participação na renda doméstica ao longo de uma década. A metodologia foi replicada em boa parte da bacia amazônica, incluindo países vizinhos.
Sobre o Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá
Criado em 1998 para responder ao declínio agudo de pescado, o então Programa de Comercialização do Pescado — atual Programa de Manejo de Pesca — tem como objetivo promover a conservação dos recursos pesqueiros por meio do manejo participativo. Desde 1999, o manejo do pirarucu (Arapaima gigas) nas áreas manejadas da Reserva Mamirauá contribuiu para um aumento de aproximadamente 620% no estoque natural da espécie, aliado ao incremento na renda dos pescadores.
O modelo de manejo participativo envolve comunidades e organizações locais em todas as etapas do processo, incluindo vigilância dos ambientes aquáticos, definição de regras de uso, monitoramento dos estoques, pesca e comercialização. A quota de pesca é definida com base em contagens populacionais e prevê a retirada de até 30% dos indivíduos adultos, garantindo a manutenção de pelo menos 70% para a reprodução da espécie.
A experiência acumulada ao longo desses anos contribui diretamente para iniciativas como o PSA Pirarucu, que reconhecem o papel das comunidades na conservação dos ecossistemas amazônicos e no uso sustentável dos recursos naturais.
