Manaus tem pior índice do Norte no 3º ano do Ensino Médio, aponta IBGE

Queda no número de alunos no Ensino Médio expõe desafios da educação em Manaus

A trajetória escolar de jovens em Manaus revela um gargalo preocupante. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (25/03), apenas 6,4% dos estudantes de 13 a 17 anos estão no 3º ano do Ensino Médio na capital amazonense.

O percentual é o mais baixo entre as capitais da Região Norte e evidencia uma redução progressiva no número de alunos à medida que avançam na escola.

Enquanto o 1º ano do Ensino Médio concentra 25% dos estudantes, o índice cai para 15,4% no 2º ano e despenca no último ano da etapa, indicando dificuldades de continuidade e conclusão dos estudos.

Contexto familiar e desigualdade agravam cenário

Os dados da pesquisa apontam que fatores sociais também influenciam a permanência escolar. Em Manaus, menos da metade dos estudantes vive com ambos os pais, enquanto uma parcela significativa reside apenas com a mãe ou com outros responsáveis.

Além disso, o acesso desigual a bens e serviços evidencia disparidades importantes. Apesar de a maioria dos jovens ter acesso à internet e celular, o uso de computador ou notebook ainda é limitado — especialmente entre estudantes da rede pública.

Essa diferença se amplia quando comparada à rede privada, onde o acesso a equipamentos é significativamente maior, refletindo desigualdades que impactam diretamente o aprendizado.

Desafio vai além da sala de aula

O levantamento mostra que o Amazonas possui mais de 271 mil estudantes nessa faixa etária, com forte concentração na rede pública. Em Manaus, são cerca de 136 mil jovens matriculados, também majoritariamente em escolas públicas.

Para além dos números, os dados indicam um desafio estrutural: garantir que esses estudantes não apenas ingressem, mas permaneçam e concluam a educação básica.

O cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à permanência escolar, redução da evasão e ampliação do acesso a recursos educacionais, especialmente entre os alunos mais vulneráveis.

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