Saab e Embraer apresentam Gripen brasileiro, 1º caça supersônico feito no país
Desde 2014, programa consumiu R$ 16,75 bi e entregou 11 aviões, ou 57% da verba do contrato original para 36 unidades

O primeiro caça supersônico produzido no Brasil, o modelo Saab Gripen E, foi apresentado oficialmente nesta quarta-feira (25), quase três anos após a inauguração de sua linha de produção conjunta entre a fabricante sueca e sua parceira local, a Embraer.
Com isso, o país se une a outros 14 que fabricam, com graus distintos de autonomia tecnológica, esses aparelhos que ultrapassam a velocidade do som –1.225 km/h ao nível do mar.
O Gripen brasileiro foi exposto ao presidente Lula (PT), que o batizou com espumante, e outras autoridades na fábrica da Embraer de Gavião Peixoto (300 km a noroeste de São Paulo). Sua montagem foi completada após mais de um ano em horas de trabalho contínuas.
Dos 36 Gripen comprados pelo país em 2014, um ano após sua seleção, 15 deverão ser completados na unidade. Na FAB, o avião tem a designação F-39. “O dia de hoje significa bem mais do que a entrega de um avião”, afirmou o presidente da Saab, Micael Johansson.
O Brasil até fabrica partes da fuselagem, mas o principal ganho é o conhecimento: como na aviação comercial, o saber está na integração de sistemas e na absorção de tecnologias, o que envolveu 60 programas com várias empresas.
É um marco em um longo e dispendioso processo, que começou pelos 12 anos até a escolha do novo caça padrão da FAB, em 2013. Segundo dados do programa de acompanhamento de execução orçamentária do Senado, de 2014 para cá o Gripen consumiu R$ 16,75 bilhões em valores corrigidos.
Seu contrato inicial, em coroas suecas e também deflacionado, equivale hoje a R$ 29,5 bilhões. Ou seja, com 11 dos 36 aviões entregues até aqui, 57% da verba original já foi gasta.
Isso inclui os 12 aditivos já feitos ao contrato original, devido a aumento de gastos que ocorrem neste tipo de desenvolvimento: o Gripen atual é o da terceira geração da aeronave, essencialmente um produto novo. Segundo a FAB, até 2025 o valor extra daria para comprar mais seis aviões.
