Viral inspirado na Rocinha expõe falta de saneamento e infraestrutura em Manaus
Imagens de drone mostram casas de alvenaria erguidas à beira de uma grande área de erosão no bairro Mauzinho

O vídeo que viralizou nas redes sociais ao mostrar um voo de drone sobre a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, ganhou versões em diferentes cidades do país — inclusive em Manaus. Embalado pela música “Bainá”, do grupo Barbatuques, o formato mistura estética, identidade local e imagens aéreas impactantes. Mas, na capital amazonense, a releitura revelou um cenário bem diferente do cartão-postal.
Na versão original, a proposta valoriza o empreendedorismo e a paisagem da comunidade carioca, com gravações feitas em lajes e vistas panorâmicas que atraem turistas. Em Manaus, moradores do bairro Mauazinho se inspiraram na tendência. O resultado, no entanto, escancarou problemas estruturais históricos.
A imagem mostra casas de alvenaria erguidas à beira de uma grande área de erosão. O barranco, íngreme e instável, apresenta sinais claros de deslizamento de terra. Parte das construções está praticamente suspensa sobre o vazio, com estruturas expostas e sustentação comprometida. Há tubulações aparentes despejando água diretamente na encosta, formando filetes escuros que descem pela terra, indicando ausência ou precariedade de drenagem adequada.
Na parte inferior do barranco, acumulam-se entulhos e resíduos, reforçando o cenário de abandono. No alto, uma viela estreita separa as casas do desnível abrupto, evidenciando o risco para quem circula pelo local. Dois moradores aparecem próximos à borda, o que dá dimensão da altura e da vulnerabilidade da área.
Diferentemente da versão turística da Rocinha, a gravação em Manaus assume tom de denúncia. O drone não apenas revela a paisagem, mas amplia a percepção da falta de saneamento básico, contenção de encostas e infraestrutura urbana adequada.
Nas redes sociais, a repercussão foi imediata. “Teve drone, teve crítica social e teve um tapa na cara da gestão atual”, comentou uma seguidora. “Muito bom… mostrando a realidade que muitos desconhecem”, escreveu outra.
Se no Rio o viral reforçou a potência cultural e econômica da comunidade, em Manaus ele evidenciou desigualdades e a urgência de políticas públicas para áreas periféricas que convivem diariamente com risco geológico e ausência de serviços essenciais.
