Derramamento de produtos químicos leva Benjamin Constant a decretar nova emergência no AM

Contaminação dos rios Javari e Javarizinho afeta abastecimento de água e atinge mais de 17 mil pessoas

Área de Islândia no rio Javarizinho. Foto: Clóvis Miranda

A Prefeitura de Benjamin Constant voltou a decretar situação de emergência após registrar contaminação química nas águas dos rios Javari e Javarizinho, na região de fronteira entre Brasil e Peru. O novo decreto foi publicado nesta sexta-feira (15/05) e cita risco direto à saúde pública causado pela poluição hídrica.

Segundo o município, o desastre está relacionado principalmente ao lixão a céu aberto localizado na cidade peruana de Islândia, apontado como foco da contaminação que vem atingindo comunidades amazonenses.

O decreto reconhece oficialmente emergência decorrente de “derramamento de produtos químicos em ambiente lacustre, fluvial, marinho e aquífero”, além de destacar agravamento da crise no abastecimento de água durante o período de cheia.

Relatórios da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) identificaram contaminação microbiológica em fontes alternativas de abastecimento utilizadas pela população. O município também aponta persistência de doenças de veiculação hídrica e aumento da vulnerabilidade sanitária.

Ao todo, 66 comunidades ribeirinhas, além de bairros urbanos e áreas rurais, são afetadas pela crise. A estimativa da prefeitura é que cerca de 17 mil pessoas sofram impactos diretos da contaminação e da escassez de água potável.

Com o decreto, a prefeitura autorizou ações emergenciais, restrição do uso não essencial da água e contratação direta de serviços e insumos sem necessidade de licitação.

Crise se arrasta

O problema da contaminação dos rios na região já vinha sendo alvo de alertas de órgãos públicos desde o ano passado. Em 2025, a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) informou que diversas comunidades haviam interrompido o uso direto da água dos rios devido à má qualidade.

Mesmo após reuniões e discussões sobre soluções para o problema, a prefeitura afirma que nenhuma medida concreta foi implementada até o momento para reduzir os impactos ambientais e sanitários provocados pela poluição.

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