Governo tem prazo para planejar memorial a Bruno e Dom no Amazonas

MPF cobra obra no local do crime e definição de órgãos responsáveis

O governo federal terá até 45 dias para apresentar um plano de construção de um memorial em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Phillips, assassinados no Vale do Javari, no Amazonas.

A recomendação foi publicada pelo Ministério Público Federal (MPF) e estabelece que a obra deve ser erguida no próprio local onde ocorreram os crimes, conforme indicação das famílias das vítimas.

Após a entrega do planejamento, a execução deve começar de forma imediata, com previsão de conclusão até julho de 2026.

Sem definição de formato

Apesar de determinar a criação do espaço de memória, o documento não especifica como será a estrutura — se um monumento, praça ou outro tipo de instalação.

Também não há definição de custos, nem de qual órgão liderará a construção, o que deverá ser decidido posteriormente pelo governo.

Responsabilidade compartilhada

A recomendação envolve diretamente a Presidência da República e ministérios como Defesa, Casa Civil, Direitos Humanos e Povos Indígenas.

Essas instituições terão que indicar, dentro do prazo, quais órgãos federais executarão a obra. Entre os possíveis envolvidos estão estruturas militares e órgãos indigenistas.

Local simbólico e desafios

O memorial deverá ser construído às margens do rio Itacoaí, no Vale do Javari — área de difícil acesso e sujeita a variações ambientais.

Mesmo com relatos de entraves logísticos por parte de órgãos públicos, o MPF sustenta que a presença do Estado no local é essencial como forma de reparação simbólica.

Memória e reparação

Além da construção, o MPF quer que o local seja reconhecido oficialmente como patrimônio cultural, reforçando seu valor histórico e simbólico.

A medida integra ações exigidas por organismos internacionais após o assassinato de Bruno e Dom, considerado um marco nas discussões sobre proteção de defensores ambientais e jornalistas na Amazônia.

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