Irã nega ataque a navio sul-coreano em Hormuz

Trump atribuiu incidente a ataque iraniano e pediu que país asiático se juntasse a operações americanas

Embarcações no estreito de Hormuz próximo ao Irã – Amirhosein Khorgooi – 4.mai.26/via Reuters

O Irã negou nesta quinta-feira (7) qualquer envolvimento de suas Forças Armadas na explosão de um navio da Coreia do Sul no estreito de Hormuz, em meio às negociações em andamento entre Teerã e Washington para um acordo temporário para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Em comunicado divulgado pela embaixada iraniana em Seul, Teerã afirmou que a navegação segura pelo estreito depende da “estrita adesão às regulamentações iranianas” e negou qualquer ligação com o episódio.

Na segunda (4), um navio de bandeira panamenha operado pela sul-coreana HMM sofreu uma explosão e pegou fogo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu o incidente a um ataque iraniano e pediu que o país asiático se juntasse às operações americanas de navegação na rota marítima.

Já o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul afirmou que a causa do incêndio só poderá ser confirmada após a embarcação ser rebocada de volta ao porto e submetida a inspeção.

Funcionários e autoridades ouvidas pela Reuters nesta quinta afirmam que EUA e Irã se aproximam de um acordo temporário para interromper o conflito. Um esboço da proposta prevê a suspensão dos combates, mas deixa sem solução as questões mais controversas, como o programa nuclear iraniano e a reabertura definitiva de Hormuz.

A proposta em negociação gira em torno de um memorando de curto prazo, e não de um acordo de paz abrangente, refletindo as profundas divergências entre os dois lados.

A estrutura discutida prevê três etapas: o encerramento formal da guerra, a resolução da crise no estreito de Hormuz e a abertura de um período de 30 dias de negociações para um acordo mais amplo.

“Nossa prioridade é que eles anunciem um fim permanente da guerra, e o restante das questões poderá ser resolvido quando retomarem as negociações diretas”, afirmou à Reuters um funcionário paquistanês envolvido na mediação.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que se reuniu recentemente com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, segundo informou a mídia estatal iraniana. Foi o primeiro relato público de um encontro com Khamenei desde que ele sofreu ferimentos graves no início da guerra.

Pezeshkian descreveu a reunião como marcada por uma atmosfera “humilde e profundamente cordial”.

Trump, por sua vez, voltou a demonstrar otimismo sobre as negociações na quarta.

“Eles querem fazer um acordo. Isso é muito possível”, disse o presidente a jornalistas na Casa Branca. Apesar do avanço diplomático, autoridades iranianas demonstraram ceticismo em relação à proposta de Washington.

Para Ebrahim Azizi, chefe do comitê parlamentar de segurança nacional e política externa, o memorando entregue pelos EUA era “uma lista de desejos americana, não uma realidade”.

Os dois lados da guerra reduziram as ambições de alcançar um acordo abrangente diante das divergências persistentes. Entre os impasses estão o destino dos estoques de urânio altamente enriquecido do Irã e o período durante o qual Teerã suspenderia suas atividades nucleares.

Segundo funcionários familiarizados com as negociações, o memorando não menciona várias exigências anteriormente feitas por Washington e rejeitadas pelos iranianos, como restrições ao programa de mísseis e o fim do apoio de Teerã a grupos aliados no Oriente Médio, incluindo o Hezbollah.

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