Chuvas e cheia levam Rio Preto da Eva e Careiro da Várzea a decretarem emergência

Municípios alegam incapacidade de resposta com recursos próprios após famílias serem afetadas por desastres provocados por chuvas intensas e inundações

Imagem ilustrativa. O registro é dee 2019. |Foto: reprodução

O avanço dos eventos climáticos extremos no Amazonas levou mais dois municípios a decretarem situação de emergência. Os decretos foram publicados na edição desta sexta-feira (12) do Diário Oficial dos Municípios e atingem as cidades de Rio Preto da Eva e Careiro da Várzea, afetadas, respectivamente, por chuvas intensas e pela cheia dos rios.

Em Rio Preto da Eva, a prefeita Socorro Nogueira decretou situação de emergência por um período de 180 dias em razão dos impactos causados pelas fortes chuvas que atingem o município desde dezembro de 2025 e que se intensificaram entre maio e junho deste ano.

De acordo com o decreto, aproximadamente 2.550 famílias foram afetadas em bairros da área urbana, como Monte Castelo, Bairro da Paz, Canaã, Morro da Liberdade, Paraíso Silvestre e Centro, além de comunidades rurais localizadas em ramais do município.

O documento aponta que as precipitações provocaram deslizamentos de encostas, processos erosivos, degradação do solo e enxurradas. Os danos atingiram ruas, sistemas de drenagem, manilhas de esgoto e estruturas de abastecimento de água, além de causarem fissuras e desmoronamentos em áreas consideradas de risco.

Segundo a prefeitura, os recursos municipais empregados até o momento para assistência à população e mitigação dos impactos já se mostram insuficientes diante da dimensão dos prejuízos registrados.

Com a decretação da emergência, o município fica autorizado a mobilizar todos os órgãos públicos para ações de resposta, convocar voluntários, realizar campanhas de arrecadação e até iniciar processos de desapropriação em áreas consideradas de risco. O decreto também permite a contratação emergencial de bens, serviços e obras sem licitação, conforme previsto na legislação federal.

Careiro da Várzea enfrenta avanço da cheia

Já no Careiro da Várzea, a situação de emergência foi decretada em razão das inundações provocadas pela cheia dos rios. O prazo inicial da medida é de 120 dias.

Segundo o prefeito Pedro Duarte Guedes, as fortes chuvas registradas nos meses de abril e maio agravaram o cenário de inundação no município, atingindo áreas urbanas e rurais e provocando prejuízos à população.

O decreto destaca que comunidades localizadas às margens dos rios enfrentam perdas na produção agrícola, principal fonte de renda de muitas famílias. Além disso, a própria sede municipal sofre impactos recorrentes durante os períodos de cheia, com danos à infraestrutura pública e privada.

A situação ganhou ainda mais preocupação após alerta emitido pelo Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil do Amazonas (Cemoa). Conforme o documento, o município estava sob risco hidrológico alto desde o último dia 11 de junho.

Dados da estação fluviométrica monitorada pela Agência Nacional de Águas (ANA) apontavam que o nível do rio Paraná do Careiro havia atingido 15,92 metros, ultrapassando a cota de inundação severa definida pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que é de 15,90 metros.

Diante do cenário, a prefeitura autorizou a mobilização de toda a estrutura municipal para atendimento às famílias afetadas, realização de campanhas de arrecadação de mantimentos e adoção de medidas emergenciais para minimizar os impactos da cheia.

Medidas emergenciais

Nos dois municípios, os decretos permitem a atuação ampliada da Defesa Civil, incluindo a possibilidade de evacuação de moradores em áreas de risco e utilização temporária de propriedades particulares em situações de iminente perigo público.

As medidas também autorizam contratações emergenciais sem necessidade de licitação para aquisição de bens e execução de obras voltadas à recuperação das áreas atingidas.

Com os novos decretos, aumenta o número de municípios amazonenses que recorrem ao reconhecimento de situação de emergência em decorrência de eventos climáticos extremos, em um cenário marcado pelo avanço das cheias e pelos impactos das chuvas intensas em diversas regiões do estado.

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