Alessandra Campelo acusa Aleam de manobra para excluir PSD e MDB de sessão extraordinária

Convocação ocorreu no início do recesso parlamentar e provocou reação de deputados; Adjuto Afonso disse que não houve tentativa de esconder a reunião

A realização de uma sessão extraordinária no primeiro dia do recesso parlamentar provocou um embate político na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nesta quarta-feira (1º). Em discurso na tribuna, a deputada Alessandra Campelo (PSD) acusou a Mesa Diretora da Casa de conduzir uma manobra para excluir deputados do PSD e do MDB da convocação.

Segundo a parlamentar, a sessão extraordinária já constava no sistema da Assembleia desde a tarde de terça-feira (30), mas a informação não teria sido repassada de forma clara a todos os deputados. Alessandra afirmou que parlamentares ainda discutiam em grupo de mensagens se haveria convocação, enquanto o documento já estaria assinado e em tramitação.

Para a deputada, a forma como o chamamento foi feito gerou a impressão de uma reunião organizada “na surdina”. Ela também relacionou o episódio ao ambiente político-eleitoral, mas defendeu que disputas externas não devem interferir no funcionamento do Legislativo.

“Aqui não é a eleição que vai acontecer em outubro, aqui é o Poder Legislativo”, disse Alessandra, ao cobrar respeito ao mandato dos parlamentares e às regras regimentais da Casa.

A deputada afirmou ainda que não aceitaria “gracinha” ou desrespeito à sua atuação parlamentar. No discurso, ela disse que preferiu não elevar o tom, mas fez um “chamamento de atenção” à Mesa Diretora e aos demais colegas.

Recesso e convocação

A sessão extraordinária foi realizada no início do recesso parlamentar da Aleam. Durante esse período, as atividades ordinárias ficam suspensas, mas sessões extraordinárias podem ser convocadas para análise de matérias consideradas urgentes.

O recesso segue até 31 de julho, e o retorno das atividades ordinárias está previsto para 3 de agosto.

A convocação, no entanto, gerou incômodo entre parlamentares que afirmaram não ter sido informados adequadamente. Deputados do PSD saíram em defesa de Alessandra e cobraram mais transparência na condução dos trabalhos.

Wilker Barreto disse que a fala da colega tinha fundamento e avaliou que o processo de convocação foi feito de maneira desorganizada.

“Não podemos perder o respeito. A colocação da Alessandra tem procedência. Foi atabalhoado o processo de chamamento desta extraordinária”, declarou.

Rozenha também criticou a situação e afirmou que o Legislativo se apequena quando parlamentares são deixados de fora de decisões internas. Segundo ele, não é saudável para a democracia a percepção de que sessões possam ser construídas de forma restrita ou quase secreta.

“A Assembleia do Amazonas é maior. As eleições que estão por vir também são nossas. Cada um tem o direito de caminhar com quem quer que seja”, afirmou.

Adjuto nega exclusão

O presidente da Aleam, deputado Adjuto Afonso (União Brasil), respondeu às críticas ainda durante a sessão. Ele afirmou que a convocação foi feita após ser procurado pelo líder do governo, que informou a necessidade de votação de matérias do Executivo.

Adjuto disse que consultou o regimento interno antes de autorizar a convocação e negou que a Mesa Diretora tenha tentado esconder a sessão ou excluir deputados do processo.

O presidente reconheceu que tudo ocorreu de forma rápida, mas sustentou que a convocação foi inserida no sistema e publicada para conhecimento dos parlamentares. Ele também reforçou que a condução dos trabalhos deve seguir baseada no diálogo.

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