Amigo de Flávio, Willer Tomaz movimentou R$ 5 bi em bets e foi maior apostador do Brasil, diz Fazenda
Valor supera em mais de 60% o segundo colocado da lista de apostadores em 2025, segundo Ministério da Fazenda

Uma nota técnica do Ministério da Fazenda mostra que o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato Flávio Bolsonaro (PL), foi o maior apostador em bets de todo o Brasil no ano de 2025 e aponta que a empresa Blaze não cumpriu com suas obrigações de fiscalização e controle que a autorizavam a funcionar no país.
O documento da Secretaria de Prêmios e Apostas, revelado pelo UOL e ao qual a Folha também teve acesso, afirma que Tomaz movimentou um total de R$ 5 bilhões em apostas no período e sacou mais de R$ 200 milhões —a maior parte desse montante foi transacionada dentro da própria plataforma, ou seja, valores ganhos, reapostados ou perdidos.
“[Ele] é por, larga margem, a pessoa com maior volume somado de depósitos e saques em plataformas autorizadas no Brasil em 2025, totalizando cerca de R$ 350 milhões nessas operações —mais de 60% a mais que a pessoa que figura na segunda posição dessa lista”, diz a nota, de outubro deste ano.
A PF (Polícia Federal) investiga essas movimentações e suspeita que possam ser uma forma de ocultar a origem de recursos ilícitos.
Procurado, o advogado disse que o tema é “objeto de ação judicial em curso”, que “os recursos têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e constam de sua declaração à Receita Federal”, mas que as cifras apresentadas pela Fazenda “não correspondem à realidade”.
“Causa estranheza que um documento técnico de órgão federal, contendo dados protegidos por sigilo, chegue à imprensa justamente em período eleitoral”, completou.
Willer Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL. Tanto Tomaz quanto o senador são investigados no mesmo inquérito por possível envolvimento com fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Procurada, a campanha de Flávio disse à reportagem que o senador não é investigado no Supremo e que os autos que chegaram ao STF ainda não foram convertidos em inquérito, já que ainda não houve manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) ou qualquer decisão judicial a respeito.
