ONU alerta para risco de ‘limpeza étnica’ em operação israelense em Hebron

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, alertou nesta segunda-feira (26) para o risco de uma “limpeza étnica” em Hebron, na Cisjordânia ocupada, onde o Exército israelense lançou uma ampla operação após a morte de dois soldados em um ataque.
“A punição coletiva constitui uma grave violação do direito internacional. As ameaças de esvaziar e destruir bairros inteiros também suscitam sérias preocupações sobre uma possível limpeza étnica”, afirmou Türk em comunicado.
A Prefeitura de Hebron, maior cidade do território palestino, afirmou em comunicado que 3.189 pessoas foram obrigadas a deixar suas casas devido à operação em andamento.
A ofensiva ocorreu após um ataque realizado na sexta-feira, no qual dois palestinos mataram dois soldados em um posto de controle próximo à cidade, dias antes das eleições israelenses previstas para terça-feira. Os autores do ataque morreram em uma troca de tiros.
As tropas israelenses entraram no bairro de Ein Deir Baha, em Hebron, onde viviam os dois autores do ataque, e ordenaram aos moradores que recolhessem seus pertences e deixassem a área.
A “operação agressiva” de Israel já provocou o deslocamento forçado de milhares de palestinos, destruiu casas e estabelecimentos comerciais e privou os moradores da liberdade de circulação, afirmou Türk em seu comunicado.
“As medidas adotadas suscitam sérias preocupações quanto ao uso desnecessário e desproporcional da força, que deve cessar”, acrescentou.
Türk afirmou ainda que as restrições de circulação estão obrigando muitas pessoas a permanecer em suas casas e nos bairros próximos.
“As declarações de altos funcionários do governo israelense indicam que as medidas aplicadas têm caráter punitivo e buscam provocar medo. Isso é inaceitável”, afirmou.
“As pessoas deslocadas devem poder voltar para suas casas. Israel deve garantir indenizações e reparações pelos despejos e demolições ilegais, assim como pelos deslocamentos associados”, ressaltou.
Mais cedo, no Egito, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar profundamente alarmado com as ações israelenses na Cisjordânia.
“Estamos testemunhando um ambiente cada vez mais coercitivo, com o espectro de uma limpeza étnica cada vez mais presente. Isso precisa acabar”, declarou.
