Cheia: Careiro decreta emergência em saúde e teme explosão de doenças
Município do Amazonas autoriza compras sem licitação diante do risco de surtos epidemiológicos provocados pelas enchentes

A cheia dos rios no Amazonas começa a transformar a crise climática também em emergência sanitária. O município de Careiro decretou situação de emergência em saúde pública após o avanço das águas comprometer áreas urbanas e rurais e elevar o risco de surtos epidemiológicos. O decreto, publicado nesta segunda-feira (11/05) e assinado pela prefeita Mara Alves de Lima, reconhece que o aumento das chuvas e a elevação do nível dos rios e igarapés já afetam diretamente a capacidade de resposta do sistema municipal de saúde.
O documento alerta para o risco iminente de crescimento de doenças como dengue, chikungunya, zika, malária, leptospirose, hepatites, diarreias e infecções de pele — enfermidades que costumam avançar justamente em períodos de enchente e precarização sanitária.
Além das doenças, a prefeitura cita riscos de acidentes com animais peçonhentos, afogamentos e até ocorrências envolvendo rede elétrica e objetos perfurocortantes em áreas alagadas.
Com a decretação da emergência, a prefeitura passa a ter autorização para contratar serviços e adquirir insumos de saúde sem licitação, em caráter emergencial, enquanto durar a crise. A medida inclui tramitação prioritária de processos administrativos ligados ao enfrentamento da situação.
O decreto reconhece ainda a necessidade de apoio financeiro e operacional para garantir a continuidade dos serviços públicos de saúde no município, diante do agravamento das condições provocado pela cheia.
Careiro se torna o segundo município do Amazonas a decretar emergência em saúde pública por causa da enchente deste ano. Na semana passada, Atalaia do Norte também oficializou situação semelhante após a inundação dos rios Javari e Solimões comprometer unidades de saúde e aumentar o registro de síndromes febris associadas a doenças como malária, dengue, zika, chikungunya, oropouche e febre mayaro.
O avanço dos decretos de emergência evidencia que os impactos da cheia no Amazonas já ultrapassam os prejuízos materiais e começam a pressionar diretamente os sistemas municipais de saúde, sobretudo em cidades do interior mais vulneráveis às oscilações extremas dos rios.
