Governo cubano condena “acusação desprezível” contra Castro

Comunicado afirma que os EUA distorceram fatos sobre o abate de dois aviões por Cuba em 1996

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rejeitou nesta quarta-feira (20/05) a acusação criminal aberta pelo Departamento de Estado norte-americano de Donald Trump contra o ex-presidente Raúl Castro Ruz, classificando a conduta como uma ação política que carece de base legal. De acordo com o líder cubano, as acusações expõem a “arrogância e frustração” das lideranças dos Estados Unidos diante da resistência e “firmeza inabalável da Revolução Cubana”.

“Trata-se de uma ação política, sem qualquer fundamento jurídico, que apenas busca engrossar o dossiê que fabricam para justificar o destino de uma agressão militar a Cuba”, afirmou.

Os Estados Unidos formalizaram quatro acusações de homicídio e duas de destruição de aeronave contra o ex-presidente Raúl Castro, mencionando também uma suposta “conspiração para matar cidadãos norte-americanos”, de acordo relatórios publicados pelo Departamento de Justiça norte-americano. O processo está ligado à derrubada de duas aeronaves que resultaram na morte de quatro pilotos da organização terrorista “Irmãos ao Resgate”, episódio ocorrido há 30 anos.

De acordo com Díaz-Canel, os Estados Unidos manipulam os fatos históricos para sustentar suas decisões.

“Sabem muito bem, porque há evidências documentais de sobra, que não se agiu de maneira imprudente nem se violou o direito internacional, como sim vêm fazendo as forças militares norte-americanas, com suas execuções extrajudiciais friamente calculadas e abertamente publicitadas sobre embarcações civis no Caribe e no Pacífico”, afirmou.

O presidente destacou que, em 24 de fevereiro de 1996, o Estado cubano agiu em legítima defesa dentro de suas águas jurisdicionais, em resposta a sucessivas violações de seu espaço aéreo cometidas por terroristas. O mandatário apontou que “a administração norte-americana da época foi alertada em mais de uma dezena de ocasiões, mas fez ouvidos moucos às advertências e permitiu as violações”.

De acordo com a nota oficial emitida pelo governo, que condena “veementemente” a “desprezível acusação” dos Estados Unidos e destaca para a sua ilegitimidade, o texto apresentado pelo Departamento de Justiça norte-americano “omite, entre outros detalhes, as inúmeras queixas formais apresentadas por Cuba durante esse período ao Departamento de Estado, à Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) e à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) a respeito das mais de 25 violações graves e deliberadas do espaço aéreo cubano cometidas pela OACI entre 1994 e 1996, em flagrante transgressão do direito internacional e da própria legislação dos EUA”.

A campanha internacional orquestrada pelos Estados Unidos contra Cuba após o episódio criou condições para que, pouco depois, a gestão de Bill Clinton assinasse a Lei Helms-Burton e intensificasse o bloqueio econômico, comercial e financeiro contra a ilha socialista.

Por fim, em sua declaração, Díaz-Canel elogiou o legado de Raúl Castro, assegurando que sua “estatura ética e o seu senso humanista derrubam qualquer infâmia” contra ele. “Como chefe guerrilheiro e como estadista, ganhou o amor de seu povo, ao que se soma o respeito e a admiração de outros líderes da região e do mundo. Esses valores são sua melhor defesa e um escudo moral, frente à ridícula tentativa de menoscabar sua estatura de herói”, concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Denuncie agora!