TSE decide nesta terça se mantém suspensão de pesquisa da AtlasIntel
A pedido de Flávio Bolsonaro, Nunes Marques suspendeu em caráter liminar pesquisa sobre impacto do caso Dark Horse

O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa nesta terça-feira (9) a decisão do presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre os efeitos do caso “Dark Horse” no desempenho eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A decisão liminar atendeu parcialmente a um pedido do PL, partido de Flávio. A legenda questionou a metodologia do instituto e alegou que o questionário poderia ter induzido os entrevistados ao associar a intenção de voto a fatos recentes envolvendo o senador.
A controvérsia envolve a pesquisa registrada no TSE sob o número BR-06939/2026. O levantamento foi realizado entre 13 e 18 de maio e divulgado no dia 19. A sondagem tratava do impacto eleitoral da divulgação de conversas em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Indução do entrevistado”
Ao suspender a pesquisa, Nunes Marques afirmou ver indícios de “possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”. O ministro determinou ainda que a AtlasIntel retirasse o levantamento de seus canais oficiais e apresentasse, em dois dias, explicações sobre a metodologia.
Na decisão, o presidente do TSE apontou que a sequência de perguntas poderia ultrapassar a aferição neutra da opinião pública e introduzir estímulos capazes de interferir nas respostas sobre intenção de voto e avaliação de imagem do pré-candidato.
Um dos pontos questionados pelo PL foi a inclusão de áudio relacionado às cobranças feitas por Flávio para o financiamento do filme. Nunes Marques destacou que outras 27 pesquisas da Atlas registradas no TSE não haviam utilizado recurso semelhante.
Instituto rebate indução
A AtlasIntel nega irregularidades. Em nota, o instituto afirmou que o áudio não foi reproduzido antes da aplicação do questionário principal e que “não houve qualquer tipo de indução aos entrevistados”. O CEO da empresa, Andrei Roman, também sustentou que a exibição do material ocorreu apenas depois da coleta das respostas centrais sobre intenção de voto.
O instituto argumenta ainda que pesquisas posteriores, como Quaest e Datafolha, também identificaram desgaste eleitoral de Flávio Bolsonaro após a repercussão do caso, o que reforçaria, segundo a Atlas, que o resultado não decorreu da metodologia contestada.
A análise do Plenário é acompanhada de perto por partidos e pré-campanhas. Nos bastidores, o julgamento é visto como um indicativo de como o TSE poderá se posicionar durante o processo eleitoral diante de pesquisas que associem intenção de voto a episódios negativos envolvendo candidatos. O julgamento definirá se a suspensão da pesquisa permanece válida enquanto o mérito da ação é analisado pelo TSE.
