Instituto Puxirum promove formação técnica em comunidades ribeirinhas da RDS do Tupé

Curso prepara moradores para apoiar a instalação, a operação e a manutenção de sistemas de bombeamento movidos à energia solar, fortalecendo a gestão comunitária do abastecimento de água

A formação Agente Comunitário de Energia – Sistemas de Bombeamento Solar está reunindo mais de 20 moradores de comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé em um processo formativo voltado à instalação, à operação e à manutenção de sistemas de bombeamento movidos à energia solar. A iniciativa integra o cronograma do Projeto Puxirum d’Água, desenvolvido pelo Instituto Puxirum, e busca fortalecer a autonomia das comunidades na gestão de seus sistemas de abastecimento de água por meio da formação de agentes comunitários. A etapa segue até o início de agosto, combinando atividades teóricas e práticas realizadas nas comunidades participantes.

Participam da formação moradores das comunidades São João do Lago do Tupé, Nossa Senhora do Livramento, Colônia Central, Julião e Agrovila, selecionados por meio de inscrições realizadas de forma online e presencial junto às próprias comunidades. O processo de seleção estabeleceu a participação mínima de 50% de mulheres, buscando ampliar sua presença em uma área de formação técnica na qual ainda são historicamente sub-representadas.

A programação aborda temas como eletricidade básica, segurança elétrica, eficiência energética, sistemas fotovoltaicos, bombeamento solar, instalação dos equipamentos, operação, manutenção preventiva, identificação de falhas, gestão comunitária e habilidades socioemocionais aplicadas ao trabalho coletivo.
Ao longo da formação, os participantes revisam conceitos fundamentais de eletricidade e aprofundam conhecimentos sobre sistemas fotovoltaicos aplicados ao bombeamento de água. O conteúdo permite acompanhar as diferentes etapas de instalação, compreender o funcionamento dos componentes e apoiar procedimentos de operação e conservação dos sistemas.

A formação também orienta os participantes sobre os limites de sua atuação e sobre a necessidade de acionar profissionais habilitados ou assistência técnica especializada em intervenções que envolvam maior complexidade ou risco. A proposta não é substituir o trabalho técnico, mas ampliar a capacidade comunitária de acompanhamento, prevenção de problemas e comunicação com as equipes responsáveis. Além dos conteúdos técnicos, são trabalhadas habilidades relacionadas à liderança comunitária, à comunicação, ao trabalho em equipe e à mediação de conflitos, preparando os participantes para compartilhar os conhecimentos adquiridos e apoiar a organização de suas comunidades em torno da gestão dos sistemas.

“Essa formação está diretamente ligada à implantação dos sistemas de bombeamento movidos à energia solar. É importante que os comunitários conheçam os princípios básicos da eletricidade, das instalações e da energia solar para que possam acompanhar a instalação, apoiar a operação dos equipamentos, realizar cuidados preventivos e reconhecer quando é necessário solicitar assistência técnica”, ressaltou o engenheiro eletricista do Instituto Puxirum, José Neto.

Formação prática

A formação possui carga horária de 40 horas, sendo quatro horas em ambiente virtual e 36 horas presenciais. Após a etapa inicial de aulas online sobre fundamentos da eletricidade, segurança e uso consciente da energia, os participantes seguem para os módulos presenciais, que articulam conteúdos teóricos e atividades práticas.
As atividades presenciais ocorrem entre os dias 15 de julho e 1º de agosto, com aulas distribuídas entre as comunidades Julião e Agrovila. Parte da formação acontece durante a instalação dos sistemas de bombeamento solar, em grupos reduzidos e sob orientação técnica, permitindo que os participantes acompanhem a montagem, conheçam os componentes e compreendam os procedimentos necessários para a operação segura e a manutenção preventiva dos equipamentos.

Além de apoiar a instalação e o funcionamento dos sistemas que serão implantados, a formação busca consolidar capacidades permanentes nas comunidades. Com moradores preparados para acompanhar os equipamentos, identificar problemas iniciais e comunicar adequadamente as necessidades de manutenção, espera-se reduzir o tempo de resposta diante de falhas e fortalecer a gestão local da infraestrutura implantada.
A proposta faz parte da estratégia do Projeto Puxirum d’Água de integrar infraestrutura, tecnologias sustentáveis e formação comunitária para ampliar a segurança hídrica e a resiliência das comunidades ribeirinhas diante das interrupções no fornecimento de energia elétrica e dos impactos das mudanças climáticas.

“O curso, até o momento, está sendo excelente. As placas solares representam uma solução para os problemas que enfrentamos com a falta de energia e, consequentemente, com o abastecimento de água. Por isso, é muito importante que a gente se aproprie desse conhecimento. Agora teremos condições de entender melhor como o sistema funciona e ajudar a cuidar dele. É um aprendizado que vai trazer benefícios para toda a comunidade”, destacou a liderança comunitária da comunidade São João do Lago do Tupé, Sílvia da Silva.

Parcerias

A formação conta com o apoio do projeto Profissionais do Futuro II, implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, no âmbito da Cooperação Brasil–Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, com recursos do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha. A formação será certificada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM) – Campus Iranduba.

“No Profissionais do Futuro, desenvolvemos um trabalho voltado à educação profissional, à empregabilidade, à inserção no mercado de trabalho e à melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Apoiar iniciativas como esta significa contribuir para que esse conhecimento permaneça nas comunidades e gere resultados duradouros. É muito gratificante acompanhar essa formação se tornando realidade e saber que esse aprendizado ficará com vocês”, afirmou Marcelo Ramos, coordenador de Empregabilidade do projeto Profissionais do Futuro II, da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ).

Também apoiam a iniciativa a EDP e o Fundo Casa Socioambiental, contribuindo para integrar formação profissional, conhecimentos técnicos, infraestrutura e experiência comunitária na construção de soluções adaptadas às condições da RDS do Tupé.

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