TJAM suspende ordem de despejo do Bar do Armando no Centro de Manaus

Vice-presidente do TJAM determinou o sobrestamento da ordem até análise de recurso apresentado pela defesa do tradicional bar de Manaus

A ordem de despejo contra o Bar do Armando, um dos espaços culturais mais tradicionais de Manaus, está temporariamente suspensa. A decisão foi tomada pelo desembargador Airton Luís Corrêa Gentil, vice-presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), após recurso apresentado pela empresa que administra o estabelecimento.

O bar funciona há décadas no Largo de São Sebastião, no Centro Histórico da capital, em um imóvel alugado pertencente à Diocese do Alto Solimões. A disputa judicial envolve a retomada do imóvel por meio de uma ação de despejo para uso próprio.

Na prática, a decisão do TJAM não encerra o processo nem garante a permanência definitiva do bar no local, mas impede que a desocupação seja executada neste momento. O desembargador determinou o sobrestamento do cumprimento da ordem de despejo até que o Agravo Interno seja julgado.

A defesa do Bar do Armando alegou risco de dano de difícil reparação diante da existência de uma ordem de desocupação e de mandado de despejo com possibilidade de uso de força policial. Ao acolher provisoriamente o pedido, o magistrado afirmou que era necessário evitar perigo de dano irreversível até a análise pelo órgão colegiado.

Patrimônio cultural em risco

A possibilidade de saída do Bar do Armando do Largo de São Sebastião provocou reação de artistas, frequentadores e representantes da sociedade civil. O estabelecimento é reconhecido desde 2015 como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas e também é lembrado como o local onde nasceu a Banda da Bica, uma das mais tradicionais manifestações carnavalescas de Manaus.

A administradora do bar, Ana Cláudia Soeiro Soares, afirmou que a família sempre reconheceu a propriedade do imóvel pela Diocese e negou que tenha tentado obter a posse por usucapião. Segundo ela, a preocupação é preservar a história construída no local.

“Já não temos mais como lutar juridicamente para reverter essa situação. Agora só nos resta a força do povo amazonense, que reconhece o Bar do Armando como um espaço histórico e cultural”, declarou durante coletiva.

O advogado do estabelecimento, Fausto Ventura, explicou que a disputa começou em 2015, após a Diocese notificar a família para desocupar o imóvel. Desde então, ações e recursos passaram a tramitar na Justiça.

A Diocese do Alto Solimões, por sua vez, afirma que pretende cumprir a decisão definitiva da Justiça e não sinalizou acordo para permanência do bar no imóvel.

Enquanto o caso segue em análise, uma manifestação em defesa do Bar do Armando está marcada para esta quarta-feira (15), às 19h30, em frente ao estabelecimento. A mobilização deve reunir frequentadores, artistas e representantes do setor cultural.

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