Brasil registrou um caso de violência política a cada 44h mesmo fora do período eleitoral, diz pesquisa
Estudo referente ao período de outubro de 2024 a até o início das campanhas, em agosto de 2026, revela que 96,3% dos episódios ocorreram contra ocupantes de cargos eletivos e que mulheres

A violência política no Brasil mantém um ritmo contínuo de agressões e ameaças mesmo nos períodos sem disputa eleitoral nas urnas. Entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, o Brasil registrou 354 episódios de violência política, uma média de uma ocorrência a cada 44h. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (1º) fazem parte da versão preliminar da 4ª edição do estudo sobre Violência Política e Eleitoral no Brasil, produzido pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global.
Os números relativos ao primeiro turno do período de campanha eleitoral de 2026, que compreende de 16 de agosto a 4 de outubro, serão divulgados na próxima semana.
O total de 354 casos de violência política representa um aumento de 18,4% em relação aos 299 casos registrados no período pré-eleitoral da edição anterior da pesquisa, entre 1º de novembro de 2022 e 15 de agosto de 2024. O levantamento aponta que a violência não arrefece fora do calendário eleitoral e tem como alvo prioritário a rotina do exercício parlamentar, sobretudo no âmbito municipal. Um exemplo é 2025, ano sem eleições, mas com 225 casos registrados. Considerando os 10 anos da pesquisa, esse foi o período pré-eleitoral mais violento.
Em 96,3% dos casos, as vítimas foram pessoas que já exerciam mandatos ou cargos públicos. Além disso, 63% dos casos concentraram-se na política municipal (vereadores e prefeitos), dado que confirma que vereadores e vereadoras, ao longo da série histórica, estão mais expostos à violência política. A letalidade segue o mesmo padrão: 24 dos 28 episódios com intenção letal (incluindo 10 dos 11 assassinatos e 14 dos 17 atentados registrados) ocorreram contra agentes políticos locais.
“A violência política é um fenômeno permanente, que não se restringe aos períodos eleitorais e se manifesta sobretudo nos municípios. Essa violência atinge diretamente quem ocupa espaços de decisão e exerce poder sobre contratos e recursos públicos. A pesquisa mostra que inclusive grupos criminosos e até mesmo policiais estão entre os responsáveis pelos atos de violência. Estamos diante de um cenário que ameaça não apenas a vida de representantes políticos, mas também o funcionamento das instituições democráticas. O Estado brasileiro precisa desenvolver e aperfeiçoar mecanismos eficazes de prevenção, proteção, investigação e responsabilização para enfrentar essa violência de forma contínua”, destaca Glaucia Marinho, diretora-executiva da Justiça Global.
Com dados mapeados desde 2016, a pesquisa Violência Política e Eleitoral no Brasil já mapeou 1.937 episódios de violações contra agentes políticos e lideranças, considerando dados lançados nesta quarta-feira (30/09). Para a coleta de dados as organizações realizam o monitoramento e checagem diária da cobertura jornalística nacional e regional, além do cruzamento com registros oficiais e denúncias públicas.

