Contaminação de rios leva Benjamin Constant a decretar emergência

Município do Alto Solimões enfrenta crise hídrica prolongada e cobra respostas diante de poluição originada em lixão peruano

A prefeitura de Benjamin Constant declarou situação de emergência em saúde pública após a continuidade da contaminação das águas dos rios Javari e Javarizinho, fundamentais para o abastecimento local. O decreto, publicado no fim de março, evidencia a gravidade de uma crise que já impacta milhares de moradores.

A medida ocorre diante da ausência de soluções efetivas para conter a poluição causada por um lixão a céu aberto instalado na cidade de Islândia, no Peru. O descarte irregular de resíduos tem comprometido diretamente a qualidade da água consumida na região de fronteira.

Com a decisão, o município passa a adotar medidas emergenciais, incluindo a restrição do uso da água para fins não essenciais e a mobilização de órgãos públicos para mitigar os efeitos da crise. A gestão também reforça a necessidade de ações coordenadas para garantir o acesso à água potável.

Relatórios técnicos recentes apontam que a contaminação microbiológica persiste nas fontes de abastecimento, colocando em risco a saúde da população. O cenário é considerado crítico, especialmente para comunidades ribeirinhas, indígenas e áreas rurais, que dependem diretamente dos rios.

Impactos sociais e ambientais

O problema atinge diretamente mais de 17 mil pessoas e evidencia a vulnerabilidade sanitária do município. A contaminação já levou à interrupção do uso direto da água em diversas localidades, conforme apontado pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas.

Além disso, a permanência de doenças relacionadas à água contaminada reforça a urgência de intervenções mais robustas. O decreto destaca que o acesso à água segura é um direito básico e que sua ausência compromete a dignidade das populações afetadas.

Histórico de alertas

A crise não é recente. Desde 2025, autoridades e órgãos de controle vêm discutindo alternativas para enfrentar o problema, incluindo reuniões entre representantes municipais e instituições públicas. Ainda assim, a falta de medidas estruturais manteve o cenário de risco.

O lixão peruano, apontado como principal fonte da contaminação, segue operando sem controle adequado, agravando a situação a cada ciclo de cheia dos rios. Diante disso, o município reforça a necessidade de ações urgentes e articuladas para conter os danos ambientais e proteger a população.

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