Projeto de terras raras em Apuí avança na ANM

Em meio à crescente corrida global por minerais estratégicos, o Amazonas registrou um avanço importante na exploração de terras raras. A Agência Nacional de Mineração (ANM) aprovou os relatórios finais de pesquisa do Projeto Ema, em Apuí, no sul do estado, etapa considerada fundamental para transformar o potencial mineral da região em um futuro empreendimento de mineração.
Desenvolvido pela BBX do Brasil, subsidiária da australiana Brazilian Critical Minerals (BCM), o projeto agora depende apenas da conclusão do licenciamento ambiental junto ao Ipaam e da emissão da Concessão de Lavra pela ANM para avançar rumo à fase de exploração comercial.
A aprovação foi comunicada ao mercado pela companhia, que classificou a decisão como um marco regulatório relevante para o desenvolvimento do empreendimento.
Segundo a empresa, a medida confirma os resultados obtidos durante a fase de pesquisa e reduz incertezas sobre a continuidade do projeto.
Minério estratégico
O avanço em Apuí ocorre em um cenário de crescente valorização internacional das terras raras, consideradas essenciais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.
Os minerais estão presentes em componentes utilizados na produção de veículos elétricos, turbinas eólicas, baterias, smartphones, computadores e sistemas avançados de defesa.
A dependência global desses elementos tornou-se um tema estratégico para diversas potências econômicas, especialmente diante da forte concentração da produção mundial na China.
Amazonas entre os principais polos
O potencial mineral amazonense tem chamado atenção de investidores e do setor mineral nos últimos anos.
Levantamento da Secretaria Executiva de Mineração do Amazonas (Semig) aponta que o estado possui a segunda maior reserva conhecida de terras raras do país. Além de Apuí, municípios como Presidente Figueiredo e São Gabriel da Cachoeira aparecem entre as áreas com maior potencial para exploração futura.
O Projeto Ema é considerado uma das iniciativas mais avançadas nesse segmento dentro do estado.
Etapas pendentes
Apesar do avanço regulatório, o empreendimento ainda não recebeu autorização para iniciar a extração comercial.
Os pedidos de Guia de Utilização apresentados pela empresa permanecem sob análise do Ipaam. Paralelamente, a companhia trabalha na elaboração do Estudo de Viabilidade Bancável, documento que deverá indicar a viabilidade econômica da implantação da mina.
De acordo com a BCM, os próximos meses serão dedicados à obtenção das licenças necessárias e à preparação do projeto para a fase de desenvolvimento.
Caso todas as autorizações sejam concedidas, Apuí poderá se tornar um dos primeiros municípios amazonenses a integrar a cadeia produtiva brasileira de terras raras, considerada estratégica para a economia global nas próximas décadas.
