Irã ameaça fechar estreito de Hormuz se sofrer novos ataques dos EUA

Autoridade de segurança iraniana afirmou à emissora estatal que país retaliará ofensivas americanas

*Folhapress

Embarcações atravessando o estreito de Hormuz são vistas de Musandam, no Omã – Reuters


O regime do Irã ameaçou nesta quarta-feira (8) fechar o estreito de Hormuz novamente caso sofra mais ataques dos Estados Unidos. As declarações foram feitas à emissora estatal iraniana Press TV por uma autoridade de segurança do país persa horas depois de o presidente americano, Donald Trump, anunciar que o acordo de paz que estava sendo negociado “acabou”.

De acordo com a autoridade consultada, a última onda de ataques americanos ao país “solidificou a determinação de Teerã” em dar uma “resposta esmagadora” a novas ofensivas contra o território do país.

Segundo a autoridade, caso a República Islâmica seja atacada, duas ações serão tomadas: Hormuz será completamente fechado para todo o tráfego marítimo, e o país atacará os alvos inimigos em uma proporção de pelo menos dois para um, o que significa que, para cada alvo iraniano atingido, pelo menos dois alvos inimigos serão visados em uma retaliação.

A autoridade afirmou à emissora iraniana que qualquer ameaça receberia uma resposta contundente e que o Irã não fazia distinção entre os EUA e seus parceiros na região. Também disse que Trump não teria nada a ganhar com as ameaças recentes e que acabaria perdendo tanto o estreito de Hormuz quanto as negociações para um acordo final, acrescentando que a escolha agora caberia ao presidente americano.

Após anunciar o fim do acordo, Trump afirmou que poderá bombardear novamente o país ainda na noite desta quarta. Depois, ele disse em entrevista coletiva que não esperava a volta de uma guerra ampla.

Apesar da ameaça de novos ataques, o presidente americano não abandonou a possibilidade de negociar um acordo. “Eu vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar, são boas pessoas, [os enviados americanos] Steve Witkoff, Jared Kushner, mas eles têm de falar comigo”, disse o republicano.

Na noite de terça (7), Washington fez seu maior ataque desde o entendimento com o regime iraniano, bombardeando bases militares e instalações em Hormozgan, no sul do país. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã atacou 85 alvos militares dos EUA no Bahrein e Kuwait com mísseis e drones.

O memorando havia posto um fim temporário à guerra iniciada pelos EUA e Israel contra Teerã em 28 de fevereiro, após o ataque que matou o então líder supremo Ali Khamenei, cujo funeral está acontecendo nesta semana.

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