Vereador aciona MPF contra Virginia por incentivo a aposta na Copa
Notícia-crime pede apuração sobre possível indução de consumidores a uma aposta considerada de baixa probabilidade
*Congresso em Foco

O Ministério Público Federal pode investigar a influenciadora Virginia Fonseca por suposta indução de seguidores a apostas esportivas em favor da seleção de Cabo Verde, em partida contra a Argentina pela Copa do Mundo.
O pedido foi apresentado pelo vereador de São Paulo Adrilles Jorge (União Brasil-SP), que protocolou uma notícia-crime solicitando a abertura de investigação sobre a publicidade feita pela influenciadora para a plataforma Blaze.
Na representação Adrilles afirma que Virginia publicou, horas antes da partida realizada na última sexta-feira (3), um vídeo nos Stories do Instagram incentivando seguidores a apostarem na vitória de Cabo Verde sobre a atual campeã mundial, a Argentina.
A equipe africana acabou derrotada por 3 a 2.
Segundo o vereador, a recomendação envolvia uma aposta de “probabilidade extremamente reduzida de sucesso”, o que justificaria a apuração de eventual crime contra a economia popular.
Para ele, o alcance da influenciadora, que soma 56,7 milhões de seguidores apenas no Instagram, amplia sua responsabilidade na divulgação de apostas esportivas.
“Virginia tem alcance gigantesco nas redes, além de relação de confiança estabelecida com seu público. Portanto, isso influencia, sim, na decisão do público”, afirma Adrilles na representação encaminhada ao MPF.

Pedido de investigação cita vídeo em que Virginia incentivou seguidores a apostar em partida da Copa do Mundo.Reprodução / Instagram
Cláusula da Desgraça
Além da investigação sobre a publicidade, o vereador pede que o MPF apure a existência da chamada “Cláusula da Desgraça”, mecanismo pelo qual influenciadores seriam remunerados de acordo com as perdas registradas pelos apostadores captados por seus links de divulgação.
A notícia-crime também solicita que o Ministério Público analise eventuais contratos firmados entre Virginia e a Blaze, a forma de remuneração prevista e se houve omissão de informações relevantes aos consumidores durante a campanha publicitária.
Segundo Adrilles, é necessário verificar se os seguidores receberam informações suficientes sobre os riscos das apostas e se existia eventual conflito de interesses na divulgação do conteúdo patrocinado.
Vídeo gerou repercussão
No vídeo publicado antes da partida, Virginia afirmou estar confiante no desempenho do goleiro Vozinha e mostrou que também faria uma aposta na vitória de Cabo Verde. A publicação fazia parte de uma ação publicitária da Blaze, empresa da qual a influenciadora é contratada.
O conteúdo repercutiu nas redes sociais após a derrota da seleção africana e gerou críticas de internautas sobre a responsabilidade de influenciadores na promoção de apostas esportivas.
Próximos passos
Após o protocolo, cabe ao MPF analisar a notícia-crime e decidir se há elementos para instaurar procedimento investigativo contra a influenciadora. A abertura de investigação não é automática e depende da avaliação do órgão sobre os fatos narrados na representação.
Caso o MPF entenda que há indícios suficientes, poderá requisitar documentos, ouvir envolvidos e pedir informações sobre a relação comercial entre Virginia e a plataforma de apostas. Se não identificar elementos mínimos para apuração, o órgão pode arquivar o pedido.
Protocolo: 20260055020
