Manacapuru decreta emergência após cheia avançar sobre áreas urbanas e rurais
Prefeitura cita isolamento de moradores, perdas agrícolas e impactos do La Niña para justificar medida

Com bairros isolados, comunidades rurais submersas e necessidade de construção de pontes improvisadas para garantir a circulação de moradores, Manacapuru tornou-se mais um município amazonense a decretar situação de emergência por causa da cheia dos rios.
A medida, assinada pela prefeita Valcileia Flores Maciel, estabelece estado de emergência por 180 dias em áreas afetadas pelas inundações e permite a adoção de ações excepcionais para assistência à população atingida.
De acordo com o decreto, a enchente provocada pela elevação do rio Solimões e de seus afluentes já causa impactos na agricultura, pecuária, abastecimento de água, educação, saúde e mobilidade urbana.
O município informou que o nível do Solimões atingiu 19,04 metros no último dia 15 de junho, deixando parte da zona rural completamente alagada e avançando também sobre setores urbanos.
Famílias dependem de pontes provisórias
Entre os problemas destacados pela prefeitura está o isolamento de moradores em áreas urbanas. Em alguns pontos da cidade, a circulação passou a depender da construção de pontes temporárias sobre trechos alagados.
Muitas residências também precisaram ser elevadas por meio de marombas, estruturas tradicionalmente utilizadas em períodos de cheia para evitar que a água invada os imóveis.
O decreto prevê ainda a remoção temporária de famílias para programas de aluguel social quando houver risco à segurança dos moradores.
Na zona rural, os prejuízos atingem diretamente produtores rurais, com perdas em lavouras e necessidade de deslocamento de rebanhos para áreas alugadas na sede do município.
Cenário já era previsto
O avanço das águas em Manacapuru vinha sendo monitorado pelo Serviço Geológico do Brasil desde o início do período de cheia.
No terceiro alerta hidrológico divulgado em maio, o órgão já informava que o município havia ultrapassado a cota de inundação de 18,20 metros. As projeções indicavam elevada probabilidade de o rio alcançar níveis próximos de 19 metros, cenário que acabou se confirmando.
Apesar disso, os estudos descartam, até o momento, a possibilidade de uma cheia histórica semelhante às maiores já registradas no município.
Município aponta influência do La Niña
A prefeitura atribui parte dos impactos ao fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e associado ao aumento das chuvas na Amazônia.
Mesmo encerrado oficialmente em abril, o fenômeno é citado pela administração municipal como um dos fatores que contribuíram para o transbordamento do Solimões e para os danos observados ao longo deste ano.
Com o decreto em vigor, o município poderá solicitar reconhecimento estadual e federal da situação de emergência, ampliar ações da Defesa Civil e realizar contratações emergenciais para minimizar os impactos da cheia sobre a população.
